aPostador Casual

domingo, novembro 22, 2009

Guerra Junqueiro, 113 anos depois ....


"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai.

Um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.

Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.

Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.

A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.

Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."

Guerra Junqueiro, 1896
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Acertadas palavras do Poeta Guerra Junqueiro, tão actuais como há 113 anos e que deixam a ideia de ele ter um dom qualquer que lhe permitia antecipar o que iria acontecer no inicio do século XXI, reparem até que ele faz uma subtil alusão metafórica ao processo "face oculta" quando diz: "... torcendo-lhe a vara ao ponto de ...".

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sexta-feira, outubro 09, 2009

Outubro de 1582

O mês de Outubro de 1582 foi encurtado em 10 dias em alguns paises da Europa, tendo sido considerados apenas 21 dias de calendário. O mês iniciou-se a uma 2ªfeira e na primeira 6ªfeira deu-se a correcção da seguinte forma:

2ªfeira, dia 1
3ªfeira, dia 2
4ªfeira, dia 3
5ªfeira, dia 4
6ªfeira, dia 15
Sábado, dia 16
Domingo, dia 17
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Esta correcção e o novo calendário que a partir desta data foi usado ficou conhecido como o calendário Gregoriano, substituindo o anterior calendário Juliano.

Qual a razão de ter sido necessário fazer a Reforma do calendário...

«Em 1582, durante o papado de Gregório XIII (Ugo Boncampagni, 1502-1585), o equinócio vernal já estava ocorrendo em 11 de Março, antecipando muito a data da Páscoa. Daí foi deduzido que o ano era mais curto do que 365,25 dias (hoje sabemos que tem 365,242199 dias). Essa diferença atingia 1 dia a cada 128 anos, sendo que nesse ano já completava 10 dias. O papa então introduziu nova reforma no calendário, sob orientação do astrónomo jesuíta alemão Christopher Clavius (1538-1612), para regular a data da Páscoa, instituindo o Calendário Gregoriano.


As reformas, publicadas na bula papal "Inter Gravissimas" em 24.02.1582, foram:


- tirou 10 dias do ano de 1582, para recolocar o Equinócio Vernal em 21 de Março. Assim, o dia seguinte a 4 de Outubro de 1582 (quinta-feira) passou a ter a data de 15 de Outubro de 1582 (sexta-feira).


- introduziu a regra de que anos múltiplos de 100 não são bissextos a menos que sejam também múltiplos de 400. Portanto o ano 2000 é bissexto.


- o dia extra do ano bissexto passou de 25 de Fevereiro (sexto dia antes de Março, portanto bissexto) para o dia 28 de Fevereiro e o ano novo passou a ser o 1º de Janeiro.


Estas modificações foram adoptadas imediatamente nos países católicos, como Portugal e, portanto, no Brasil, na Itália, Espanha, França, Polónia e Hungria, mas somente em Setembro de 1752 na Inglaterra e Estados Unidos, onde o 2 de Setembro de 1752 foi seguido do 14 de Setembro de 1752, e somente com a Revolução Bolchevista na Rússia, quando o dia seguinte ao 31 de Janeiro de 1918 passou a ser o 14 de Fevereiro de 1918. Cada país, e mesmo cada cidade na Alemanha, adoptou o Calendário Gregoriano em época diferente.


O ano do Calendário Gregoriano tem 365,2425 dias solares médios, ao passo que o ano tropical tem aproximadamente 365,2422 dias solares médios. A diferença de 0,0003 dias corresponde a 26 segundos (1 dia a cada 3300 anos).»
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Fontes:

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terça-feira, outubro 06, 2009

650 milhões de anos em 1 m 20 s



clique na imagem para ver o video
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Duvido que esta apresentação tenha um grande grau de rigor, mas achei curiosa a animação sobre a formação e distribuição dos continentes bem como a continuação futura da deriva dos continentes.
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Depois de ver este video posso concluir o seguinte:
- Vou desistir de comprar uma casita de praia no mediterraneo porque brevemente vai começar a desvalorizar;
- Vou mas é comprar uma casita na praia de Pemba - Moçambique, que daqui a uns anitos fica em posição excelente, à beira do maior lago de água salgada do mundo. ( O grupo Pestana deve ter tido informação priveligiada porque já lá tem um grande Resort).
- Não vale a pena ter inveja do nivel de vida dos povos do Norte da Europa porque Portugal vai ser o país mais a norte do novo super continente Euro-Asio-Américo-Africano, e ao subir na Europa é claro que vai subir no seu nivel de vida.
- Vale a pena investir no TGV, o TGV é o futuro para viajar de Lisboa até à Africa do Sul, a Los Angeles, à Patagónia ou até Pemba, para ir à tal casita.
- Sr. Engenheiro, novo Aeroporto "jamais", mas tem ser mesmo "jamais", agora há que apostar todos os tostões no TGV e apontar a primeira linha para a Argélia.

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199 anos depois

foto cedida pelo amigo fotografo Vasco Lago Pinto
Recriação histórica feita nas Linhas de Torres.
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A 10 de Outubro de 1810 as tropas Luso-Inglesas comandadas pelo General Arthur Wellesley tomaram posições nas Linhas de Torres, fortificação construida em segredo, para deter a progressão das forças Napoleónicas do General Massena que comandava a terceira invasão Francesa, e que com um força de 65.000 homens chegaram às Linhas no dia 14, sendo aí derrotados.


Foto cedida pelo amigo fotografo Vasco Lago Pinto
Recriação histórica feita nas Linhas de Torres

Mais informação sobre as Guerras Peninsulares clicando aqui.

Escolhi para musica de fundo a obra "Cavalgada das Valquirias" de Richard Wagner, compositor Alemão nascido em Leipzig em 22 de Maio de 1813, durante estes anos de guerras Napoleónicas, tendo esta obra de Wagner sido usada como banda sonora do filme "Apocalipse Now" do realizador Francis Ford Coppola e por esse facto para mim ficou sempre ligada ao lado desumano e cru da guerra.

Fundo musical: Richard Wagner - Cavalgada das Valquirias

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